Chile perde espaço com falta de lei específica para transgênicos

Chile perde espaço com falta de lei específica para transgênicos

terça-feira, 19 de julho de 2016

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Considerada uma das economias mais liberais da América do Sul, o Chile perde espaço no cenário do agronegócio mundial por haver se atrasado na regulamentação do uso de biotecnologia. Países vizinhos como Paraguai, Argentina e Uruguai apostaram na adoção massiva de transgênicos e já colhem resultados: um aumento expressivo de produção e participação no mercado.

Esse ‘vácuo’ legal no Chile provocou uma situação, no mínimo, inusitada: o país permite a produção de sementes geneticamente modificadas, mas apenas para fins de pesquisa acadêmica e exportação, não sendo liberada para o mercado interno. No entanto, os chilenos sabem que ingressam no país toneladas de alimentos estrangeiros com transgênicos em sua composição.

Miguel Ángel Sánchez, diretor executivo de ChileBio, associação que agrupa as sementeiras, indica que esse é um negócio rentável: “O papel do Chile na produção de semente de entressafra é chave”. O país é o principal produtor de sementes transgênicas de entressafra do Hemisfério Sul. Sánchez diz que, apesar de ocupar uma posição importante, o país está ficando para trás em relação a outros países da América Latina, como Argentina e México – que já estão usando a tecnologia.

“Tentou-se redigir uma lei específica, mas os avanços foram engavetados. Desde Frei [Eduardo Nicanor Frei Montalva, presidente entre os anos de 1964 e 1970] nenhum governo decidiu enfrentar”, afirma Ricardo Pertuzé, acadêmico do Departamento de Produção Agrícola da Universidade do Chile.

Os chilenos, como de regra em todo o mundo, também experimentam uma polarização no debate. Os representantes do Greenpeace e ativistas simpatizantes mantêm posições radicais contra os transgênicos também nesse país. Por outro lado, a comunidade científica, os pesquisadores do setor e até mesmo os órgãos oficiais garantem que o cultivo é seguro.

Gonzalo Pardo, encarregado do departamento de Autorização e Controle de OGMs no Serviço Agrícola e Pecuário (SAG, na sigla em espanhol), afirma que, para cada evento transgênico autorizado se estabelecem requisitos, medidas de biossegurança, para evitar que afetem outros cultivos.

Loreto Holuigue, pesquisadora do Departamento de Genética Molecular e Microbiologia da Universidade Católica do Chile afirma que essa polarização debilitou a postura científica de quem se opõe aos OGM porque não existem antecedentes de toxicidade das plantas transgênicas. Em contraste, fortaleceu as empresas sementeiras e agroquímicas, porque dominam um mercado onde não há alternativas.

“Desprestigiou uma tecnologia útil, e que poderia ser usada em beneficio da população. A atual legislação não favorece ao desenvolvimento científico do país, de cultivos transgênicos com um propósito de interesse público, por exemplo”, sustenta Holuigue.

 

Agrolink
Autor: Leonardo Gottems

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