Alta de impostos sobre combustíveis deve afetar custos de produção

Alta de impostos sobre combustíveis deve afetar custos de produção

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Rate this article:
No rating

O aumento da alíquota de PIS/Confins sobre os combustíveis deve ter impacto direto e indireto na produção agrícola brasileira, aponta levantamento elaborado pela Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). “Ao todo, a produção de grãos pagará quase R$ 1,4 bilhão a mais na safra de 2018”, prevê o economista da instituição Antônio da Luz.

No dia 20 de julho, o governo decretou aumento de R$ 0,41 sobre o litro da gasolina, R$ 0,21 sobre o do diesel e R$ 0,20 no do etanol (distribuidor). Na terça-feira, 25, o juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão do decreto que elevava os impostos. Mas, nesta quarta-feira, 26, a decisão foi derrubada pelo desembargador Hilton Queiroz, presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) após recurso da Advocacia Geral da União (AGU).

“O aumento afetará diretamente o custo de produção, tendo em vista que as atividades agropecuárias consomem volumes muito grandes de combustíveis para o preparo do solo, plantio, trato, manejo, colheita e fretes internos”, alerta o economista. Já de forma indireta, ele diz que o impacto se dará pelo aumento do frete na compra de insumos e na comercialização dos produtos.

De acordo com ele, em valores relativos, por hectare, o arroz será a cultura mais prejudicada no Rio Grande do Sul, pois é irrigado e as máquinas trabalham em um ambiente que exige maior consumo de combustíveis. “Calculamos um acréscimo de 51 reais no custo de produção, por hectare”.

Ele acrescenta que a soja é outra cultura que sofrerá com o impacto no aumento dos combustíveis, já que ocupa a maior área plantada dentre os grãos. “Pelo tamanho da área em todo o Brasil, a soja contribuirá com quase 60% da arrecadação dos impostos”, calcula.

Da Luz observa ainda que não há atividade econômica que não utilize combustíveis direta ou indiretamente: “Geralmente se utiliza de ambas as formas. Os grãos, a produção de cana, frutas, verduras, e a atividade pecuária enfim, todos os segmentos da agricultura serão afetados”.

Expectativa - Para o especialista, a expectativa é de um aperto nas margens ainda maior, tendo em vista que esse aumento de impostos sobre os combustíveis “é inoportuno”.

“Nosso índice de inflação dos preços recebidos pelos produtores rurais (IIPR) mostra uma deflação de 24,1% no acumulado de 12 meses, ou seja, os produtores estão com preços quase um quarto mais baixos do que há um ano. Apesar do aumento de produção, houve queda de receita, já que os preços caíram mais do que o aumento de produtividade”, diz sobre a situação no Rio Grande do Sul. 

Goiás - O Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag Econômico) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) também divulgaram nota técnica sobre os possíveis impactos da alta dos impostos sobre o diesel nos custos de produção.

Foram analisados dados que compõem os custos de produção das culturas - soja, milho, milho safrinha, algodão, feijão, sorgo, girassol, tomate indústria e cana-de-açúcar - para a elaboração da nota. "Dentro dos itens que integram os custos, foram avaliadas cada operação com máquinas equipadas de motores ciclo otto, que utilizam diesel e são empregadas na produção agrícola, e seus respectivos gastos com diesel por hora e por hectare, além da divisão por etapa do processo produtivo (pré-plantio, plantio, condução da lavoura e colheita)", diz a nota.

As entidades acreditam que o impacto nos custos de produção das diversas culturas do Estado será inevitável, já que há considerável uso de diesel nas operações com máquinas nas lavouras e o aumento médio por litro deve ficar em R$ 0,21, segundo levantamento. "Os resultados mostraram que a participação do diesel nos custos passou de 6,4% para 6,8%, em média, para as culturas representadas no estudo. Os gastos médios por hectare passaram de R$ 238,47 para R$ 255,88, aumento de 7,3%. No setor da cana-de-açúcar, um dos que mais consomem óleo diesel, o impacto será de mais de 43,6 milhões em gastos adicionais, considerando a área total de cana planta e soca a ser colhida na safra".

Frete - A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que os valores de frete no país cresçam 2,5% por causa da medida que afeta o diesel. “O aumento terá reflexos imediatos no preço do frete e, consequentemente, no custo dos alimentos e de todos os produtos consumidos pela população brasileira”, afirma o presidente da CNT, Clésio Andrade, em nota. Mas o impacto no preço pode ser maior. A NTC&Logística prevê alta de 4%.

Outro viés - Na opinião do vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, há outro viés relacionado a esse aumento e que, a princípio, esses impactos não seriam tão relevantes a princípio, pois os preços para transportar grãos já tendem a atingir níveis recordes entre julho e setembro. 

Para ele, isso ocorre em função da safrinha recorde de milho, que terá de ser transportada tanto para armazéns espalhados pelo país quanto para os portos. Segundo Sirimarco, os fretes também deverão continuar mais elevados do que no ano passado, no período entre setembro e novembro, devido à concorrência com o transporte de açúcar.

Conforme explica, os valores cobrados pelos transportadores só não serão mais altos porque a entrega de fertilizantes e defensivos deverá coincidir com o escoamento da safra, permitindo o frete de retorno, que reduz custos.

Fonte: Portal DBO com SNA e Faeg

Number of views (114)/Comments (0)

Tags:

Please login or register to post comments.

Suínos

Bovínos

Frango/Ovo

Leite e Derivados

Carne e Derivados

Madeira Cavaco

Mercado Financeiro

Box Agrocotações

Cotação (máx)
R$ 57,50
Soja/RS
R$ 61,00
Soja/MT
R$ 62,50
Soja/PR
R$ 64,00
Soja/BA
R$ 65,00
Soja/SC
R$ 68,88
Soja/SP
R$ 18,08
Milho/MT
R$ 27,00
Milho/BA
R$ 28,42
Milho/PR
R$ 29,81
Milho/SP
R$ 29,88
Milho/SC
R$ 31,00
Milho/RS
R$ 62,45
Cana@/SP *
R$ 56,50
Tora/SC *
R$ 155,00
Tora/PR *